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24 Abril - Faro, obediência e proteção
Fizemos
faro às 18:30 em terra arada com a cadela Luna van het
Goede Bloed. Fomos a noite para Valkenswaard
(aprox. 50km de Eksel), no clube HDG Aalst-Waalre clube
onde será a seletiva. Aqui eles teem o costume de deixar que os
figurantes da prova fiquem disponível por três dias para
que os competidores possam treinar. Mas isto só acontece nas seletivas,
não nas grandes competições (Wusv, campeonato belga
ou holandês, FCI). Acabei fazendo a primeira parte da proteção
de todos os cães e no lançado o figurante Erik
Van Esch.
Outra informação é que aqui na Holanda e na Bélgica,
sempre é usado o maior figurante para o lançado (homens
entre 1,90 a 2,00m) e nos exercícios da primeira parte os mais
baixos (homens em torno de 1,80). Eles fazem isto porque geralmente os
figurantes menores são mais rápidos e podem testar o cão
na primeira parte melhor que um figurante muito grande e lento. Já
no lançado eles acreditam que o figurante tem que ser bem grande
para que realmente o cão mostre para o que veio e desta forma possa
se avaliar o real temperamento do cão.
Abaixo algumas fotos durante o treino:

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26 Abril - Competição no clube "De Wiers"
Hoje tivemos a competição
da Província de Africhtingskampioenschap Kringgroep "de
Wiers" em Kessel. O Willem ficou em segundo lugar com a cadela
LUNA (A:95, B:90 e C:90). Dessa forma ele qualificou-se para ir ao nacional
pela Holanda (tipo campeonato brasileiro). A prova contou com 16 cães,
mas posso garantir a vocês que muitos deles são piores
que os nossos. Tanto na Holanda como na Bélgica existem pessoas
que estão praticando o esporte como um hobby.
Independente de ser uma prova provinciana, tudo foi organizado como
um campeonato mundial. No faro eles teem o fiscal de pista. Homem que
irá analisar a qualidade das pistas marcadas para a competição.
Também é este homem que diz quantas pistas cabem no local
escolhido e como será a distribuição delas. Todas
as pistas do CT3 são diferentes. Eles levam os competidores para
suas posições, faltando 20 min para começar o faro
do primeiro competidor. O juiz assume uma posição de somente
julgar. Ele não se incomoda com nada, ou seja, não recebe
apresentações, não fala sobre enforcadores, medida
das guias ou peitorais de faro, tudo é informado pelo fiscal
do faro. Na obediência e na proteção acontece a
mesma coisa, as apresentações são feitas para o
fiscal do campo e no final das duas o competidor vai até o juiz
se apresenta dizendo que chegou o final da seção, então
assim as duplas seguem para o local das notas e o juiz faz o comentário
a respeito de cada trabalho. Outra coisa que me chamou muito a atenção
aqui na Holanda, foram os gritos que os figurantes dão o tempo
todo. A pressão imposta na proteção é infinitamente
maior do que a pressão que imprimimos em nossos cães no
Brasil. Após a prova, fui conversar com os figurantes e eles
me disseram que isto é uma característica dos figurantes
holandeses, na Bélgica eles fazem um pouco porém é
na Holanda que o bicho pega (a nivel de gritos). As varadas foram extremamente
fortes. Na hora da premiação todos teem que estar no campo
com seus cães. Independente do competidor ter ido bem ou mal,
tem que ficar e ver seus concorrentes subindo ao pódio. No Brasil
como sabemos, tem vários competidores que ficam exaltados e acabam
indo embora. Se isto ocorre aqui na Holanda ou na Bélgica, o
competidor fica proibido de competir por pelo menos seis meses. Eles
me disseram assim: "Isto é uma falta de respeito com o esporte
e com as pessoas que estão presentes no evento." As premiações
ao contrário do Brasil é feita de forma rápida
e sem muito blá, blá, blá. Ganhou, ganhou, pegue
seu troféu e vá confraternizar com seus amigos. Bebendo
cerveja é claro, heheheheheheheheheehehheheheehehehe...
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02 Maio - Dia da seletiva
Chegamos
ao clube por volta das 09h00min. No catálogo da competição
tinham 16 participantes inscritos. Entre os cães tinham gronendal,
rottweiler, malinoas e pastores. Por ser uma seletiva, cada seção
foi julgada por um juiz diferente.
O faro já havia começado e no campo do clube rolava as primeiras
seis obediências. Assim que os primeiros cães acabaram a
obediência, nós entramos para a primeira leva de cães
na proteção.
Havia bastante pessoas no clube para apreciar o evento, porém todas
aquelas pessoas estavam lá por dois motivos:
1- última seletiva da Holanda para a FCI 2009;
2- figurante brasileiro.
Bom,
que já esteve na Europa sabe que o povo daqui geralmente não
te dá muito papo. Eles ficam em seus grupos e deixam as coisas
rolar. No início da competição as pessoas me olhavam
como se eu estivesse ali para tirar algo deles. Não tive como mudar
esta impressão, então deixei para que eles tirassem a conclusão
após o meu trabalho.
Para a minha infelicidade o primeiro cão era um Gronendal que já
estava qualificado para participar no campeonato nacional de pastores
belgas. Ele já chegou à barraca latindo chamando o vovô,
na fuga ele mordeu praticamente com os caninos e demorou a largar quando
eu parei. No reataque o cão recebeu a primeira varada, largou da
manga, voltei a atacar, ele mordeu, tomou a segunda varada, ele largou,
parti novamente para cima dele e ele fugiu do campo. Os olhares da platéia
para mim eram como se eu tivesse feito tudo errado o caminho do meio do
campo até a sexta barraca tornou algo penoso e difícil de
fazer. Quando cheguei próximo da barraca o público começou
a cochichar (pra mim eles poderiam falar normalmente, pois eu não
falo e nem entendo o holandês). Eu olhava para o Willem que estava
sentado próximo do campo para poder tirar fotos e ele fazia gestos
do tipo, vai em frente, manda ver. Então entrou o segundo cachorro
(uma fêmea do canil valkenplaz), e detonou na proteção,
tudo foi muito bem feito e ela obteve 95 pontos na proteção.
Após este cão, eu senti que a platéia começou
a relaxar e achar que um figurante brasileiro poderia, talvez, fazer um
bom trabalho em nível de proteção de prova. Quando
a competição acabou, para minha total surpresa, todos os
juízes, auxiliares, competidores, chefes de equipes, enfim, todos
vieram me parabenizar pelo trabalho executado, eles elogiaram todos os
meus fundamentos, desde a barraca até o transporte frontal. Curiosos,
eles começaram a me perguntar se a escola de formação
de figurantes no Brasil é muito severa. Tive que dizer, que nós
não temos escola, que o brasileiro quando quer algo ele corre atrás,
estuda, treina, encontra pessoas que possam ajudá-los e acima de
tudo, faz por amor.
É estranho, no início da competição eu me
senti como Davi na jaula com os leões. No decorrer da mesma, eu
já estava dominando os leões, e no final da prova eu tinha
a chave da jaula. Aquelas pessoas não sabem o quanto é difícil
ser figurante no Brasil. Que nós figurantes (Caio, Waldir, Nil,
Leandro, Alves, Alexandre, Marcos, Max, Marcel, Loiz, Raphael), temos
que crescer por nós mesmos, ou através de orientações
dadas pelos nossos pares. Então quando eles começaram a
me dar saudações pelo serviço bem feito, foi como
se tivessem reconhecido o bom trabalho desempenhado por nós brasileiros.
Para vocês poderem ter uma idéia, a Holanda possui 20 figurantes
de nivel "A", isto significa pessoas qualificadas para participarem
de provas nacionais (seletivas e campeonatos) e internacionais (mundiais).
Todos os anos estes figurantes passam por testes para saberem se podem
continuar no nivel A ou se devem mudar de nivel. Testes estes que irão
verificar se o figurante tem condições físicas e
técnicas de atuarem em competições.
No encerramento da prova, tudo se repetiu, após ganharem seus troféus
ou certificados, vieram me cumprimentar, inclusive o dono do gronendal.
Então minha gente o negócio é trabalhar, nós
não estamos tão distante da realidade, em minha opinião
várias pessoas no Brasil já possuem conhecimento suficiente
para estar formando bons cães. Temos que arregaçar as mangas
e trabalhar em prol do esporte e conseqüentemente de uma melhor qualificação
dos cães do Brasil nos futuros campeonatos mundiais.
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03
Maio - Conclusões finais
Esta
viagem para mim, não serviu apenas para estar reforçando
meu curriculum, mas também como uma grande aprendizagem. Tive
a oportunidade de conversar com cinco juízes, sendo que três
deles de diferentes países. Trabalhei com mais de seis figurantes
diferentes e de ponta. Na Europa toda, fala-se que no futuro IPO e SchH
não terão mais diferenças. Eles estão a
cada ano que passa, estreitando a relação entre as entidades.
Na Bélgica e na Holanda já é possível treinar
um P.A. num clube de malinoa ou rottweiler e vice e versa. O esporte
na Europa já não é tão forte quanto 15 anos
atrás. Cada vez mais os jovens procuram por outras coisas. Os
cães já não os atraem mais. É preciso muita
dedicação e eles não estão nem um pouco
interessados nisto. O esporte aqui esta diretamente ligado a família,
ou seja, se os pais forem praticantes do esporte, talvez seus filhos
o pratiquem no futuro. Conseguir novos figurantes também tem
se tornado complicado. Os poucos que tem, são pessoas que já
tem certa fama e à medida que vão sendo chamados para
provas importantes, estão se tornando estrelas do esporte e começam
a mostrar uma série de atitudes que os clubes reprovam. Diante
de tantas diversidades, figurantes e componentes dos clubes têm
suas controvérsias e acabam indo para lados diferentes. Não
preciso dizer que com tudo isto quem sofre é o esporte. Cada
vez mais treinadores de sucesso estão formando seus próprios
figurantes e mantendo-os o maior tempo possível sob sua tutela.
Mas o que pude constatar é que a grande maioria dos participantes
nos clubes são pessoas acima de 40 anos. Os mais velhos são
os mais empenhados. Dos clubes que estive, eu pude contar não
mais do que três a quatro pessoas com idade inferior a 25 anos.
Ao contrário do que muita gente no Brasil pensa, os europeus
são extremamente chatos com relação a cães.
Cada ano que passa, eles criam mais regras de forma que as pessoas pensem
duas vezes antes de adquirir um cão. Esta imagem de que temos
que é só pegar nossos cães e irmos para a Europa
que tudo correrá bem, não existe, talvez em pouquíssimos
lugares, porém você precisa conhecer estes lugares antes.
No ano passado quando estive na Bélgica já havia sido
difícil conseguir lugares para faro. Os fazendeiros tem se mostrado
bastante relutante em relação a liberar suas propriedades
para que os treinadores possam realizar o faro. Grande parte destes
problemas se deve aos próprios treinadores, pois não prestam
atenção no que seus cães fazem e depois recebem
como recompensa o não dos fazendeiros. Então diante destes
fatos, eles estão estudando formas de juntar os grupos e fazer
com que o esporte volte novamente a ter força. É claro
que as competições continuarão a ser em seus distintos
lugares, malinoa com malinoa, pastor com pastor e assim por diante,
porém eles procuram através destas atitudes, fazer com
que as pessoas possam treinar seus cães em qualquer tipo de clube,
seja ele de IPO ou SchH.
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